Vinícius de Moraes, dramaturgo, jornalista, poeta, compositor e diplomata nato e de profissão, era boêmio e viveu em um tempo em que ser politicamente correto significava exatamente ser correto sem contudo perder a malandragem.
Neste texto, ele nos devolve aquela sensação antiga de liberdade pra viver o que quisermos viver, e pra aproveitar o que nos der vontade de aproveitar, sim, porque a vida é curta, e ninguém voltou de lá do outro lado pra dizer se há um depois dela pelo qual devamos nos guardar… era essa a filosofia do nosso poeta!
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Não comerei da alface a verde pétala
“Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem mais aprouver fazer dieta.
Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.
Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro; dêem-me feijão com arroz
E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei, feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.”
