Vinícius de Moraes era desses pra quem as coisas só valiam à pena se fossem plenas… queria consumir o mundo em sua totalidade, porém com o equilíbrio de um artista que mantinha a ordem de um homem que sabia sofrer e o desapego de um bom chopp no bar, ao lado de “alguns bons amigos”. Vinícius não se importava em morrer por comer tudo o que lhe agradasse ao paladar, e desdenhou ainda da vida sem paixão, deixando claro preferir morrer de amar mais do que pudesse totalmente.
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Soneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor … não cante
O humano coração com mais verdade …
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
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